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TEATROFÍDICO

2月14日

FALA COMIGO DOCE COMO A CHUVA

Fala comigo doce como a chuva

 

ÚLTIMAS APRESENTAÇÕES 18 E 19/02

SÁBADO E DOMINGO 20HS

SALA 302-USINA DO GASÔMETRO

ENTRADA FRANCA

 

 

A solidão de Williams

 

Em Tennessee Williams, solidão, loucura e marginalidade são os destinos de criaturas que se corrompem no dinheiro e no desejo. Para ele não há liberdade fora da morte. Suas personagens vivem como se num infinito ritual antropofágico, tendo no medo e na solidão seus fiéis companheiros. Suas personagens são criaturas tristes e solitárias: bêbados, poetas vagabundos, operários humilhados, mulheres reprimidas, homossexuais atordoados pela perseguição, atores sem papel, damas decadentes, virgens loucas, prostitutas feridas. Sem exceção, um mesmo estigma as tortura: estão sós.

Fala comigo... é uma das pérolas do dramaturgo americano Tennessee Williams, mesmo sendo uma peça curta. Talvez por isso mesmo seja uma síntese; uma peça que concentra grande parte do desespero existencial com o qual o autor dota suas personagens. A crueldade maior da peça é que ela fala da desilusão do amor, da solidão e da incapacidade do ser humano ser feliz justamente na base da sociedade: em um casal de jovens. O casal de Fala comigo doce como a chuva não foge a tais regras: cheios de ilusões e sonhos que a dura realidade do concreto armado da grande cidade não titubeia em esmagar. Quando começa a peça o homem acaba de chegar da rua embriagado. Aí começam os monólogos paralelos a que suas vidas se resumem. Primeiro ele narra sua noite em um prostíbulo, a bebedeira, as mulheres fáceis; acabou de gastar seu cheque de desemprego enquanto em casa eles não têm ao menos café. Depois é a vez dela dar seu solilóquio. Fala do desejo e do sonho de ser alguém. Sonha em deixá-lo ali e ir em busca da felicidade, sozinha, em uma longa e penosa confissão solta no tempo e no espaço. O jovem casal irá expor sua dor, sua desesperança frente ao destino da humanidade, cada vez mais só, com o homem cada vez mais voltado a seu próprio umbigo.

No entanto, ainda que as duas personagens pertençam ao mundo dos marginais, dos doentes da alma e solitários, também são fruto da mais sincera compaixão humana. Assim é Tennessee Williams. Propõe uma obra teatral das mais contundentes do teatro do século XX, a qual o público sempre recebeu de braços abertos. Os recalques apresentados no palco purgam os espectadores de sua própria dor: nas neuróticas criaturas, cada um projeta a sua própria neurose.

Tennessee Williams nasceu em 1911, em Columbus, Mississippi, e cresceu em St. Louis, Missouri. Freqüentou a Universidade de Missouri e graduou-se pela Universidade de Iowa, em 1938. Williams tornou-se um dos mais notáveis dramaturgos americanos do século 20, autor de contos, romances e poemas. Suas peças de maior sucesso foram “À Margem da Vida” (1944, que lhe daria o primeiro de quatro New York Drama Critics’ Circle Awards), “Um Bonde Chamado Desejo” (1947, prêmio Pulitzer), “Summer and Smoke” (1948), “A Rosa Tatuada” (1951), “Gata em Teto de Zinco Quente” (1955, prêmio Pulitzer), “De Repente no Último Verão” (1958), “Doce Pássaro da Juventude” (1959) e “A Noite do Iguana” (1961) – todas adaptadas para o cinema.

 

FICHA TÉCNICA

ELENCO:RAFAEL GUERRA E SILVANA DA COSTA ALVES

DIVULGAÇÃO: RENATO DEL CAMPÃO

FOTOS:LUCIANA MENNA BARRETO

MAQUIAGEM: HEINZ LIMAVERDE

DIREÇÃO, ILUMINAÇÃO, CENOGRAFIA E TRILHA SONORA:EDUARDO KRAEMER

PRODUÇÃO:TEATROFÍDICO

 

ENTRADA FRANCA

 

 

DIVULGAÇÃO

edu.kraemer@gmail.com

32212843 e 96568341

 

O ESPETÁCULO É UM SUCESSO COM LOTAÇÃO ESGOTADA EM TODAS AS APRESENTAÇÕES...CHEGUE CEDO.

12月31日

MISANTROPIA - POR HERMES BERNARDI

Por último desço mais um andar e vou assistir ao trabalho do Grupo Teatrofídico. Título: Eu preciso aprender a ser só, direção, iluminação, cenografia e seleção de trilha sonora de Eduardo Kraemer. Embora o assunto fosse demasiado cansativo, o grupo e a direção conseguem momentos interessantes, seja pela movimentação em cena, seja pela brincadeira com os textos. O elenco tem disparidades sensíveis, pois mesmo sendo um assunto, diria eu "clichê", desfilam alguns tipos que, por vezes esbarram numa linguagem teatrão no que refere à interpretação. O cenário é modesto, mas funcional, desenhando soluções interessantes como suporte à narrativa. Mesmo que eu tenha referido ao tema como "clichê", quero deixar claro que não há nenhum demérito nisso. A direção faz isso de maneira proposital para nos cutucar sobre a solidão e a busca incansável do ser humano por alguém com quem compartilhar a vida, a casa, a mesa do café, a cama...as dúvidas, o medo. Aliás, ontem eu lia sobre Misantropia.

Misantropia levada ao extremo é negar a humanidade. Somos, sim, humanos. Queira ou não, é impossível se tornar um misantropo integralmente. Nascemos apegados à humanidade. Todo o sentimento de revolta contra o 'homem' surge justamente do contato com ele, e do conhecimento e familiaridade com suas representações e "realidades". Pois, afinal de contas, é a partir disso que chegamos à conclusão de que nos é mais "vantajoso" nos afastarmos dela, da humanidade. E mesmo distantes, estamos ainda tão preocupados com a humanidade que não largamos do pensamento dela para que possamos nos manter afastados, se esse for o caso.

Durante o espetáculo lembrei imediatamente do conceito de Misantropia, de trechos de Nietzsche, e constato: a humanidade vive seu momento misantrópico e niilista, ou seja, o sujeito quer estar só e desacredita de tudo, mesmo que lá no fundo não suporte a solidão que o sistema lhe impõe...Aliás, se estamos vivendo imersos num desejo de evasão e misantropia o sistema assim deseja e nós obedecemos como cavalinhos bem domados que somos.

E no final de tudo isso constato mais: que noite bacana eu tive percorrendo o ventre deste feto chamado Gestação Cultural - Usina das Artes.  Descobrindo que não só ele, mas também eu, na condição de platéia, percebemos que é possível mover os braços, os pés e andar, andar em direção a algum outro lugar que não o comum...


TEATROFÍDICO RECEBE 3 INDICAÇÕES AO TROFÉU AÇORIANOS 2005

CIA TEATROFÍDICO RECEBE 3 INDICAÇÕES AO TROFÉU AÇORIANOS 2005 DE TEATRO COM O ESPETÁCULO
EU PRECISO APRENDER A SER SÓ
MELHOR ATRIZ - SAIONARA SOSA
MELHOR CENÁRIO E TRILHA SONORA ADAPTADA - EDUARDO KRAEMER
 
NOS DIAS 17, 18 E 19 DE JANEIRO-21HS- O ESPETÁCULO ESTARÁ EMCARTAZ NUMA MOSTRA COM TODOS OS INDICADOS DO ANO NO TEATRO RENASCENÇA.

Num mundo fragamentado e insípido, regido por leis de mercado e por regras politicamente corretas, o homem moderno encontra-se perdido. Sem futuro, procura o amor.Eu preciso aprender a ser só conta a história de uma mulher traumatizada com a perda de um grande amor. Tenta renascer.Encontra um homem e num jogo compulsivo, acha a possibilidade da felicidade.O grupo Teatrofídico atraves de fragmentos de diversos textos e de improvisacões, utiliza uma liguagem frenática, partida e poética para contar nossa própria história – a história de um mundo onde “as conexões estão perdidas, os fusos horários trocados...”.

Tres casais de atores interpretam dois personagens em constante transfornmacão.Bill e Bety encontran-se num bar de happy-hour e a partir dalí percorrem um caminho sem volta.Solidão, paixão, tesão, traicão, amor, ódio e vinganca misturam-se nesse tour-de-force.A relacão se mostra frágil, pois basta um olhar alheio para que a troca seja consumada.No fim a possibilidade do amor é sombreada pelo fantasma do medo.

Utilizando o recurso do TEATRO-DANÇA  e desta linguagem fragmentada, com idas e vindas atemporais, o grupo busca um signo contemporaneo para um tema caduco e eterno – a busca do amor.Com uma trilha sonora rica  e diversa o espetáculo – como no momento em que o casal trava uma batalha através da dança de um tango – se mostra dinamico e poético, vivo e dramatico por vezes comico e trágico.

 
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